sexta-feira, 7 de novembro de 2014

A SIMULTANEIDADE DAS COISAS / OUT 2011

Sabe quando acontece tudo ao mesmo tempo, como uma avalanche de coisas, situações e emoções incontroláveis?

Não são só as desgraças e catástrofes naturais vêm concentradas com tudo, em curtos períodos de tempo e sempre acompanhadas de grandes conseqüências, e sequelas, também os acontecimentos da vida, bons ou ruins, sempre vem aos borbotões, de forma avassaladora e sem praticamente controle.

Por esses caprichos do destino há coisas que acontecem na vida da gente de forma tão concentrada, num curto período de tempo, de forma imprevisível e surpreendente, que torna praticamente incontrolável sua condução. Somos arrastados num torvelinho desenfreado de situações absolutamente fora de controle.

De repente, somos surpreendidos com uma avalancha de fatos e atividades excessivas, não programadas, que causam um tremendo tumulto em nossa vida cotidiana, tornando os dias muito curtos para poder desempenhá-las.

Ficamos tão envolvidos e absortos nos desdobramentos das ações originais que pagamos um preço exagerado para poder desempenhá-los.

Comigo acontece esse fenômeno em períodos recorrentes, como agora, me vendo envolvido numa enxurrada de fatos positivos, mas perturbadores, pois não tinham definição de prazo para acontecerem e que se precipitaram simultaneamente, sem nenhum aviso prévio.

Neste  momento enfrento pelo menos 4 situações pessoais importantes, daquelas que revolucionam sua vida e que passam a exigir uma extrema dedicação de atenção e tempo, provocando um extremo desgaste físico e mental.

Situações estressantes assim já estavam fora da minha pauta há algum tempo, por isso o estranhamento e o desgaste. Sinto que o ritmo está muito acelerado para os meus varonis 70 anos.
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Residencia Rua Chanés

A primeira situação é minha despedida da Residência da Chanés em Moema.

Estou vendendo minha residência de S.Paulo, onde vivo há 36 anos com minha mulher, criei minhas 3 filhas e também exerci plenamente minha profissão de arquiteto e professor.

Esse projeto da venda, acalentado há muito tempo, faz parte da ideia de uma vida mais tranqüila e com mais qualidade na nossa fase derradeira, na chamada melhor idade.

Além disso, almeja aliar a possibilidade de mudarmos nossa rotina de vida, permitindo acumular também uma reserva financeira, com a diferença da operação imobiliária, visando criar condições para avançarmos mais no tempo, sem maiores preocupações básicas; Não podemos esquecer que nessa altura do fluxo de caixa há praticamente somente saídas, pois a única entrada da aposentadoria não fecha o caixa. Sem falar, por outro lado, que não gostaríamos de depender dos filhos na velhice.

Além disso, creio que fizemos um bom negocio, por um bom preço a vista, onde já recebemos o sinal e o restante virá na assinatura da escritura, que acontecerá no começo do ano.

Isto é, em 60 dias devemos desocupá-la de forma definitiva e para sempre. Não é muito fácil, não.

Só esse fato já cria um grande reboliço, pois envolve os preparativos físicos da mudança, para organizar tudo, desmontando e desmobilizando todo o mobiliário, equipamentos, aparelhos, livros e tudo o mais para entregar a casa totalmente limpa; tarefa árdua, pois obriga uma limpeza geral se desvencilhando de muitos guardados que já não servem mais, embalando livros, separando roupas, loucas, utensílios, quinquilharias mil, etc, etc sem fim.

Além dessa autentica revolução nos objetos guardados começa um processo mental de grande ansiedade e insegurança por aquilo que está por vir, aliadas pela busca do desapego à extensa memória construída neste lugar.

Quantas saudades vamos sentir do antigo cantinho, das plantas, da generosidade e luminosidade dos espaços por mim construídos, das meninas crescendo, dos netos chegando, das inúmeras festas e reuniões havidas, dos apertos passados, das facilidades dos serviços diários, dos aviões sobrevoando e tantas outras memoráveis?


Esse é o motivo do primeiro estresse que vivo no momento.

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Edifício Marahu / S.vicente

O segundo evento, que decorreu do primeiro, é o processo de aquisição de um novo lugar para morar em substituição à referida casa. Nesse aspecto estamos cumprindo um grande sonho para o final de vida, tentado inicialmente em Ubatuba que não conseguiu se viabilizar.

Decidimos pela Baixada Santista, por sua proximidade,alguma afinidade anterior e melhor infra estrutura econômica, social e cultural.

Depois de algumas idas para lá, descobri um lindo apartamento no Edifício Marahu, na Praia do Itararé, junto à Ilha Porchat, que ilustramos acima. O Marahu é um tradicional edifício modernista dos anos 50, de ótima arquitetura, projeto do Arquiteto Lauro da Costa Lima, por preço compatível com o seu conforto e as condições do lugar. Ele é de frente para o mar, junto à Praia dos Milionários e do Itararé, fica no terceiro andar e possui amplos e confortáveis espaços para se viver bem e receber os familiares e amigos
.
Claro que há muitas diferenças do apartamento do Marahu em relação à residência da Rua Chanés. O tamanho é menor, mas com 3 dormitórios, salas de estar-jantar, cozinha, serviços e amplos apoios, num condomínio de alto padrão;Sairemos de uma residência individual na agitada e hoje caótica e cara Moema, para vivermos na tranqüilidade do litoral, com direito direto ao mar e extenso jardim na porta, verde em toda a volta, navios ao largo, etc, etc. sem maiores compromissos obrigatórios. Pura mordomia, que julgo merecida, construída depois de muita luta e trabalho.
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Livro Arquitetura Avenida Paulista

A esses dois episódios devo acrescentar um terceiro, não menos importante.

O lançamento do meu livro Arquitetura da Avenida Paulista, outro projeto trabalhado há bastante tempo e que se precipitou também neste final de ano, por uma série de circunstancias fortuitas.

Produzi totalmente o livro durante mais de um ano, praticamente sozinho, escrevendo, fotografando, criando as artes, fazendo contatos, buscando patrocínios,etc, num árduo trabalho que só quem passou pela experiencia pode avaliar.

Resultado é que para o seu lançamento ocorrer tive também que financiar a impressão, pois não queria passar de novo pela frustração de ver um livro pronto na gaveta.

Observo que essa foi minha terceira tentativa de publicar um livro ( o primeiro foi sobre a cidade de Palmas, capital do Tocantins, onde documentamos nossa participação nos seus 7 anos iniciais, verdadeira epopeia pessoal e profissional. Mesmo enquadrado na Lei Rouanet de incentivos fiscais, não conseguimos viabilizá-lo. O 2º foi a dissertação de mestrado, sobre Arquitetura e Geometria, verdadeiro calhamaço acadêmico de 500 e tantas paginas, que poderia ter sido útil pra muita gente do ponto de vista didático).

Assim fiz a impressão de 1.000 exemplares, bem como outros 1.000 folders, decorrentes da proposta gráfica. Novos desafios deverão ser enfrentados daqui pra frente quando da distribuição e venda desses produtos, onde a parte do leão fica com os distribuidores e as livrarias.

Isso demonstra o ato heroico ou talvez insano de publicar um livro entre nós, importante atividade intelectual, considerada elitista e de pouca relevância entre nós, como todas ligadas ä cultura.


Um quarto e último acontecimento de caráter positivo, também tem peso emocional significativo: refiro-me a decisão judicial favorável, declarando extinta a punibilidade, depois de um longo processo que sofrei por 14 anos.

É um processo referente ao projeto que realizei para o Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins em que fui acusado injustamente de superfaturamento nos honorários profissionais; Nele fui envolvido involuntariamente, como um réu pateta, no meio de figurões, como desembargadores acusados de corrupção, que de fato houve no caso.

Durante todo esse tempo processual de sérias preocupações, sofri inúmeros constrangimentos, me obrigando a constituir vários advogados para me defender de falsas e graves acusações.

É preciso acrescentar que todos esses acontecimentos se afunilaram no final do ano, coincidindo ainda com as festas de natal e ano novo, bem como as programadas férias de verão, incluindo os recessos comerciais e forenses.

É evidente que todos esses acontecimentos são maravilhosos e fantásticos como realização ou conclusão, mas que somados, e acontecendo todos ao mesmo tempo, causam uma verdadeira revolução na rotina diária, que já não estamos mais habituados.

Assim, essa correria desenfreada forma uma onda de felicidade, mas cria um frenesi muito frenético e estressante, desequilibrando as energias e vindo cobrar um alto preço na saúde física e mental.

Amigos.Todo esse relato não objetiva causar qualquer inveja em vocês, mas compartilhar um estado de graça, um momento raro na minha existência, que pode servir de inspiração para muitos.





EXPECTATIVA DE MUDANÇA / DEZ 2011

É difícil controlar a ansiedade neste processo de mudança que estou vivendo.

Nesta altura da vida, deixar uma casa enorme, onde moro há 36 anos em Moema para mudar para o litoral é sempre meio inquietante.

A tomada da difícil decisão passa necessariamente pela análise de vários fatores que a influenciam e que certamente vão afetar o modo de vida seguinte.

A pergunta inicial é porque dessa decisão? O que a justifica? E preciso buscar justificativas? Viveremos melhor? Será benéfico?

Sou nascido e criado na capital paulistana, onde estudei, trabalhei, venci e por ela morro de amores; entretanto acho que chegou o momento de mudar de ninho; são vários os motivos que me levam a isso, entre os quais:

Estou com 71 anos, ainda saudável, aposentado do embate diário, sem compromissos profissionais fixos, 3 filhas já criadas, ou seja, livre para me ocupar com outras atividades aleatórias, intelectuais, culturais, de lazer, etc.

Comprei a casa onde moro em 1975, dez anos após minha formatura como arquiteto, quando nasceu minha 2ª. Filha, mudando de um pequeno apartamento na Rua Silvia. Era um tempo de coragem e confiança, de futuro pessoal, apesar de vivermos numa Ditadura política.

Na época era uma casa velha, a ser reformada, que adquiri com financiamento pela Carteira Hipotecaria da CEF para ser pago em 10 anos. Na transferência dei sorte, pois o proprietário Sr. Waldemar, me contratou para fazer o projeto da nova casa dele, o que aliviou um pouco a entrada.

Quando comprei a casa, em 1975, o bairro de Moema era muito tranqüilo, com um transito suportável e poucos edifícios altos. Para vocês terem uma idéia terem, não havia ainda a Avenida dos Bandeirantes, não havia o Shopping Ibirapuera, os bondes ainda passaram na Avenida Ibirapuera em direção a Santo Amaro e a proximidade do Parque Ibirapuera dava uma qualidade de ar bastante boa.

O que incomodava um pouco era a proximidade do Aeroporto de Congonhas, que operava diuturnamente, já que a casa ficava na rota de pousos e decolagens dos aviões. Mas como dizia o vizinho alemão, neurótico de guerra: “Com o tempo você acostuma”. Ao que poderia acrescentar: “Ou fica surdo ou louco”.

Mas, durante todo o período de pagamento, suei sangue, suor e lágrimas para pagar as prestações, já que com a inflação e o sistema de amortização os reajustes anuais eram impagáveis, que obrigava o refinanciamento constante.
Os 10 anos do contrato inicial duraram 15 anos.

Aliás, a inflação que chegou a índices superiores a 1% ao dia, desnorteou economicamente toda a minha geração. Sem falar a frustração política e o medo do regime militar. Mas isso merece um capitulo especial.

Tudo isso foi muito duro, deixou marcas, mas felizmente já passou.

Minha casa é grande, 320 m2 de área construída, confortável, espaços característicos da arquitetura moderna brasileira, com vários níveis, ambientes amplos, claros e abertos, 3 dormitórios com varanda, sala de estar, 4 banheiros, cozinha planejada, área de serviço, salão de festas, apto de hospedes, garagem coberta para 2 autos, churrasqueira, quintal com churrasqueira, 1 jabuticabeira sempre carregada, parreira com uvas produzindo, 1 mixiriqueira, 1 caramboleira, temperos e varias outras plantas. Acabamentos simples, mas bons. Está conservada. Uma beleza.

Foi nesta casa que morei, trabalhei, criei minha família, reuni os parentes e amigos, fiz muitas festas e reuniões, toquei meu pandeiro, e principalmente vivi ótimos momentos da vida.

Agora o trabalho acabou, vivo só com a mulher nesta casa grande, as 3 filhas se mudaram, duas para perto, os 5 netos vivem rodeando, mas cada qual tem vidas próprias e independentes.

O bairro está bem diferente com um uso extremamente diversificado, incluindo oficinas mecânicas, karaokês, boites gay, etc. sem fiscalização nenhuma fiscalização, com um transito infernal, poluído, dependendo da Av. dos Bandeirantes e 23 de Maio, para acessar ou sair, com uma densidade incompatível com a infra-estrutura, etc.etc. A previsão do metro é para daqui a 2 anos ou mais.

É verdade que a região é servida de todos os equipamentos urbanos necessários, tais como restaurantes, bares, supermercados, padarias e verdurões sofisticados, mas todos também acompanhados de mais transito, valets sem controle, e tudo o mais.

Apesar de achar que a mudança será muito bem vinda, sempre há um certo receio na adaptação das novas situações. Mas acredito será fácil se acostumar a melhores condições de qualidade de vida.



RESIDENCIA RUA CHANÉS, 425 / Dez 2011


                                  

                                                                   Desenho da Mariana

Mãe, Lu, Ju. Minhas meninas lindas e maravilhosas. Dia histórico para nós. Negócio fechado. Vai-se a casa da Rua Chanés onde vivemos durante 36 anos (1975-2011, com alguma interrupção) com muita alegria, alguns problemas, num belo e generoso espaço residencial concebido com muito amor e contido com bastante suor. Mudança de vida, ares e águas. Etapa cumprida. Foi muito bom enquanto durou.



Aqui vocês foram criados, fizeram suas estripulias, sempre foram socorridas em seus momentos difíceis e se tornaram adultos e independentes, criando suas próprias famílias, gerando nossos 5 netinhos. Capetas (exceção do Gabi), altas e também lindas e maravilhosas. Agora o momento e os tempos são outros. Chegou a sua vez de tocar o barco, cada uma à sua maneira com seus compromissos e problemas.

O ciclo natural da vida sempre passa pelas fases de germinação, nascimento, crescimento, procriação, ocorrência e morte. Acompanhado de um processo permanente de formação, amadurecimento, enriquecimento e o necessário desempenho familiar e social.

Há um tempo que você se prepara para a batalha, cumpre seu papel social e humano e se retira (ou é retirado) do campo e vai para a arquibancada, torcer e consentimento. Mais sinceridade e dar palpites do que torcer. Nessa trajetória a gente vai da infância, para a adolescência, a juventude e a maturidade embaladas pelas descobertas da vida que incluem a dignidade, o trabalho, o prazer, o amor, o sexo, a maternidade e a educação dos filhos.

Estamos, eu e sua mãe, na fase derradeira desse ciclo, conscientes das especificações físicas envolvidas e alijados das atividades produtivas normais, esperando que nossas funções ocupadas e mentais se mantenham saudáveis, para não inspirarmos maiores cuidados e darmos trabalho a vocês.

Agora saímos de Moema, saindo de S. Paulo, depois de 71 anos de luta, com muito orgulho da minha origem humilde da Penha e da trajetória de sucesso pessoal e profissional que nela realizou. Creio que dei minha contribuição.

Trocarei meu “Pátio Ver o pouso dos aviões” para “Ver navios ao largo” numa alegoria destinada a me continuar ligado ao mundo.

Ficam os sabiás e sanhaços, comedores das minhas frutas, mas companheiros sonoros de várias horas; em compensação ganharei a companhia das garças e gaivotas, novas amigas do mar.

Deixarei meu salão de festas e trabalho, meu banco debaixo da jabuticabeira, minhas plantas e tantas lembranças bonitas, das reuniões familiares, profissionais, dos churrascos e tantas festas de aniversários com ou sem orquestra.

Não sentirei nenhuma saudade do louco trânsito das Avenidas 23 de Maio e Bandeirantes e do sufoco ambiental e humano de toda a cidade; tampouco dos barulhentos vizinhos e de baixa civilidade.

Vamos para a pequena S. Vicente no litoral sul paulista, cidade do Brasil, onde tudo se faz a pé, para cumprirmos nosso primeiro destino dando continuidade final de vida, esperando sermos felizes e também propiciar mais uma alternativa de porto e lazer para vocês e os netinhos.

Um beijo grande a vocês e até lá, onde “enfrentaremos este novo sacrifício” de flanar e viver à beira mar, que é o sonho de muitos, porém realidade de poucos privilegiados como nós.
Papai Eloy

Resposta da Mari
Papai e mamãe,
Antes de mais nada vocês merecem todo conforto que veio porque batalharam muito, cada uma a sua maneira, para isso!A casa da Chanés sempre será lembrada por nós por termos teve uma infância muito feliz, e por ter sido o nosso porto seguro, em muitas graças! Também agradeço a vocês por toda estrutura e apoio que nos deram, e sei que nos darão, sempre! Espero que vocês sejam realmente felizes, e acima de tudo tenham paz para viver muito mais anos com tranquilidade!!Beijos e sempre estaremos lá!! Mari
Resposta da Luciana
Queridos Brou e mamãe.
Como a maioria dos seus textos é tão ou como poesia e fez passar um belo e recheado filminho pela minha cabeça. Em um minuto revivi cada passagem de nossas vidas. As inúmeras e imensas alegrias, os momentos tristes, necessários e de reflexão. Definitivamente esse ciclo terminou. Sua missão como pai foi cumprida sem dúvida nenhuma. A bagagem que nos foi oferecida por vocês não tem preço. Estamos cada um no seu caminho e preparados para a vida. Se eu conseguir transmitir e fornecer metade do que tive de vocês aos meus filhos me sentirei realizado.
O melhor de tudo isso é que, como você mesmo disse, vocês ai estão ai, ativos e participantes de nossas vidas e aqui ao lado. Já fica a saudade dos domingos, das festas, do porto seguro que foi a Chanés. Fica o alivio de saber que o porto só mudou de endereço e que começa agora um novo capítulo da nossa história, com vocês mais avós do que pais e ainda assim nos privilegiando com essa alternativa de lazer. E vamos que vamos todos juntos e felizes. Obrigada por tudo e muita sorte, paz e sucesso para vocês nessa nova empreitada. Lu

Resposta da Ju
Pai, mamãe,
A casa da Chanés ficará em nossas lembranças sempre, e dos netos lindos e maravilhosos também eu espero. Foram muitos momentos lindos e felizes, mas a vida é feita de ciclos, esse está se encerrando de uma forma linda e inicia-se outro que com certeza tbem traz muitas felicidades, festas, momentos felizes pra todos, mas principalmente pra vocês que ganham muito um descanso tranquilo, lindo e maravilhoso.
Obrigada por sempre nos fornecer tudo de melhor. E vamos que vamos?
Quando se inicia uma mudança? Você já negociou dados para deixar a casa?
Estaremos por aí de 23 de dezembro a 16 de janeiro e economizaremos para ajudar no que for necessário. Ufá!!!! Vai ser uma loucura, hahahaha!!!! Bjos mil com saudades.
Tudo de melhor na nova vida. Ju

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

O SIGNIFICADO DA ARQUITETURA

“Utilizamos a pedra, a madeira, o cimento; com eles fazemos casas, palácios; é a construção. A engenhosidade trabalha. Mas de repente, você me interessa fortemente, você me faz bem, sou feliz e digo: é belo. Eis ai a Arquitetura. A arte está ai.

Minha casa é prática. Obrigado, assim como, obrigado aos engenheiros das estradas de ferro e a da companhia dos telefones. Vocês não tocaram meu coração. Mas as paredes se elevam no céu em uma ordem tal que fico comovido. Sinto suas intenções. Vocês eram delicados, brutais, encantadores ou dignos. Suas pedras me dizem. Vocês me prendem a este lugar e meus olhos contemplam.

Um pensamento que se ilumina sem palavras nem sons, porém unicamente com prismas que mantém relações entre si. Esses prismas são tais que a luz os detalha claramente. Essas relações nada têm de necessariamente prático ou descritivo. São uma criação matemática do seu espírito. São a linguagem da Arquitetura.

Com materiais brutos, sobre um programa mais ou menos utilitário que vocês ultrapassam vocês estabeleceram relações que me comoveram.
                               ISTO É ARQUITETURA¨
                               Le Corbusier - arquiteto franco-suíço no livro Por Uma Arquitetura.


                                  
                                  Residencia em Ubatuba - Arquiteto Marcio Kogan


Todas elas tem uma forca e beleza extraordinárias, pelos seus materiais, suas proporções, suas inserções na paisagem, os espaços criados, as surpresas e emoções provocadas, pelo seu simbolismo e pelo que elas representam para a humanidade.

Em síntese: pela qualidade e perenidade da sua ARQUITETURA.

Sabemos que a sensibilidade é inerente ao ser humano, é uma coisa inata; Mas também acreditamos que a abertura desse canal dos sentimentos pode ser facilitada e melhor usufruída através da educação, do conhecimento e do desenvolvimento cultural adquiridos pelo ser humano.

Não é a idade, o tipo, o estilo, a linguagem ou qualquer outra condição que nos impede de reconhecer a qualidade intrínseca de uma obra de Arte ou da Arquitetura,quando capaz de nos tocar e emocionar.

É muito difícil passar indiferente e não se comover e se deslumbrar diante de varias obras primas consagradas de Arquitetura, construídas em todos os tempos, existentes no mundo. Alista é imensa mas podemos citar somente algumas delas, bastante diversas, que tivemos a oportunidade e a satisfação de conhecer.

A imponência da Acrópole e as belas proporções do Parthenon de Atenas; a deslumbrante Catedral da Sagrada Família de Barcelona; a grandeza da esplanada de Teotihuacán dos astecas no México; as Pirâmides do Egito; as muralhas da China; a Praça S. Marcos em Veneza; a Piazza Del Campo em Siena; a Torre Eiffel; a CharlesBridge em Praga; o centro histórico de Parati; as igrejas barrocas de Ouro Preto; O Palácio da Alvorada e do Itamaraty em Brasília; o Museu Guggenheim de Nova York, as vistas de Machu Picchu, e um sem numero de outras de mesmo nível, pequenas ou grandes, antigas ou recentes, construídas por este mundo afora.

Lembramos que não se trata de admirar obras famosas em função só do seu reconhecimento publico, por modismo, por mero ato de imitação ou esnobismo, mas pelo que elas representam efetivamente como símbolo positivo da capacidade humana, da reconhecida qualidade arquitetônica ou urbana delas, capaz de nos comover profundamente, de avivar e alimentar nossos próprios sentimentos.

Sentimentos que procuraremos traduzir e identificar ao descrevermos e comentarmos algumas obras de arquitetura nos nossos percursos de viagem, nos posts apresentados.

A ARQUITETURA DE ROGÉLIO SALMONA


Parque Biblioteca Virgílio Barco
O arquiteto Rogélio Salmona (1927-2007) é considerado um dos mais destacados arquitetos colombianos.

Responsável por uma profícua produção arquitetônica na Colômbia, principalmente em Bogotá, onde deixou inúmeras obras geniais que são destaque na paisagem urbana ate os dias de hoje.

Nascido em Paris, onde trabalhou com Le Corbusier e abraçou os princípios modernistas, se transferiu para a Colômbia, onde adotou a linguagem particular com o uso do tijolo aparente, com resultados espaciais extraordinários.

Apresentamos a seguir algumas das suas obras mais significativas, que aliavam a qualidade do objeto construído e sua inserção urbana; Obras premiadas internacionalmente e declaradas como monumento nacional.

- Torres del Parque (1965- 70) conjunto residencial no centro de Bogotá, junto a praça de touros; A Calle de las escalinatas (1970) no Parque da Independência, complementar às Torres del Parque; Edifício da Sociedade Colombiana de Arquitetos (1967-1974);El Museo (1970-72); Renovação Urbana Nova Santa Fé (1985-87); Archivo General de la Nacion (1988-1994);Edifício de Pos-Graduacao de Ciencias Humanas na Universidade Nacional da Colombia (1995-2000); Eje Ambiental – Recuperacional da Avenida Jimenez de Quesada (1998-2000); Biblioteca Publica e Parque Virgilio Barco (1999-2002); Centro Cultural Gabriel Garcia Marques (2004-2006).

Mais informações sobre o arquiteto Rogelio Salmona podem se vistas no site da sua fundação> www.fundacionrogeliosalmona.org.


                      
                         Centro Cultural Gabriel Garcia Marques
Calle de las Escalinatas

Sociedade Colombiana de Arquitetos
Reurbanização Santa Fé

Arquivo Geral da Nação
                      

    
Centro Cultural R.Salmona
Edifício PosGraduacao

LIVRO ARQUITETURA AVENIDA PAULISTA







Depois de longa e trabalhosa preparação finalmente saiu o meu livro publicado.

Arquitetura da Avenida Paulista  é uma homenagem aos 120 anos daquela que é, com toda justiça, o símbolo da cidade de S. Paulo.

Bonita, agitada, democrática, transformadora, instigante. Lidima e inconfundível paisagem urbana paulistana que reflete a dinâmica e pujança de seus habitantes.

Evoluindo no tempo substituindo seus casarões dos barões do café e da burguesia inicial paulista pelos edifícios modernos e contemporâneos, que lhe dão uma imagem única com características brasileiras e universais.

O livro nasceu de um sonho inicial de levantar toda a Arquitetura importante da minha cidade, como um registro material de uma produção significativa para a profissão e para a cultura e memória da cidade.

Comecei pela Avenida Paulista, como um ato de amor a minha cidade, por várias razões: sua importância e seu significado simbólico para a cidade; sua arquitetura pouco documentada, apesar de muito reproduzida em imagens; seus 120 anos em 2011; a possibilidade (frustrada) de apoios e patrocínios pelo peso das entidades e empresas nela localizadas; servir de estímulo e ensaio para sua continuação.

Porém, é preciso que se diga que todo o trabalho de criação, preparação e produção do livro se deu praticamente de forma autônoma e independente, com recursos próprios e com uma pequena equipe de colaboradores.
Assim foi todo o longo processo de pesquisa de dados, levantamento de campo, fotos, textos, artes, provas, revisões, etc.

Além do livro em que produzimos também uma bela pasta, como subproduto, onde apresentamos a sequência das construções apresentadas em toda a extensão da Avenida, dos seus dois lados, numa interessante produção gráfica, que pode ser adquirida em conjunto ou independente do livro.

Experimente pelas duas tentativas frustradas anteriores de publicar um livro evitei tentar “vender” somente o projeto preliminar, partindo para produzir diretamente o objeto, na forma de um boneco, que pudesse dar uma ideia clara do produto e do custo final.
Com ele pronto sai atrás de parceiros e patrocinadores para garantir sua publicação, que cobrisse a impressão, distribuição e vendas. Percorre bancos, entidades, associações e editoras, sem nenhum resultado positivo.

Mas não quis desistir. Finalmente resolvi bancar também a impressão junto com a Mariana e sua pequena Amplitude Editora, para fazermos também a distribuição nas livrarias e outros pontos de venda.

Para a divulgação contamos a sorte de contar com vários veículos e eventos profissionais, indicados por amigos ou descobertos no caminho.

Em 3/12 fizemos um lançamento bonito e exitoso na Nona Bienal de Arquitetura realizada na Oca do Ibirapuera, graças à generosidade do IAB-SP, na figura do colega Caldana e aos serviços do pessoal da Livraria Livraria.

Indicados e apoiados pela Associação Paulista Viva participamos de um vídeo para o site G1 da Rede Globo, veiculado no dia 8/12, data da comemoração dos 120 anos da Avenida Paulista e do programa 9 Verso Paulista exibido em 20/01/2014 também na Rede Globo.

Igualmente no dia 8 houve um bonito evento musical - visual comemorativo, no cinema da Livraria Cultura do Conjunto Nacional, no qual estivemos presentes, divulgando o livro, com entrevistas para 3 veículos de comunicação de TV.

Estamos contando ainda com vários amigos, revistas e sites especializados como Vitruvius, Arqbacana, Piniweb, Arcoweb e das várias livrarias importantes como Cultura, FNAC, Martins Fontes, da Villa e Saraiva, cujos exemplares já estão à disposição para venda .

Sabemos que o seu sucesso ainda está longe, mas estamos confiantes, pois fizemos tudo o que esteve ao nosso alcance. Vamos acompanhar os resultados das vendas e das críticas, para nos aventurarmos à sua continuação para documentar outros sites especializados da cidade.

Os assuntos específicos procuram-lo nas principais livrarias da Avenida ou diretamente comigo pelo email edisoneloys@gmail.com ou fones 13 3466 6423 e 13 99733 3599

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

CARTAGENA DE ÍNDIAS / Colômbia

Residencia Colonial
Romântica  cidade a beira mar do Caribe tem no seu centro histórico, cercado de 8 quilômetros de muralhas que a protegiam de toda sorte de invasores. É seu maior apelo turístico. Cenário de Cem anos de solidão de Gabriel Garcia Marques.

Recheada de belas casas coloniais de herança espanhola, hoje transformadas em pousadas. Suas estreitas ruelas e praças são um convite ao caminhar despreocupado.
Em contraste, seu entorno exterior as muralhas, é composto de assépticos edifícios altos, residenciais ou de serviços, de padrão internacional.

Abaixo alguns aspectos urbanos e arquitetônicos da bela Cartagena.

Paisagem Urbana
Centro de Convenções
 
Residencia. Gabriel Garcia Marquez
Vendedora de Frutas
As Muralhas
Las Bóvedas



Praça do Relógio