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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

LISBOA 2 / SET 2010

 “O viajante não é turista. É viajante. Há grande diferença. Viajar é descobrir, o resto é simples encontrar.” José Saramago em Viagem a Portugal.
  
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Vista Panorâmica de Lisboa

Esta foi nossa 3ª. visita a Lisboa. A primeira se deu em 1978, quando atravessei Portugal de sul a norte, num mini  carro vindo da Espanha, juntamente com minha mulher.

Iniciamos pelo Algarve e suas lindas chaminés mouras, passando pelo Além Tejo e seus sobreiros de cortiça, por Lisboa, Sintra, Évora, Coimbra chegando ate a cidade do Porto, do Rio Douro, da bela ponte de ferro de Gustave Eiffel, da arquitetura urbana tradicional  e de  seu vinho famoso.

A 2ª. vez foi em 1982 quando fomos visitar meu ex-sócio e amigo Miro, que fazia uma temporada de trabalho em Portugal, participando das informatizações das Bolsas de Valores de Lisboa e Porto,  morando em Cascais. Iamos de comboio desde Lisboa, numa bela e rapida viagem, parando quase sempre em Estoril.

Vamos, porém ,nos fixar na ultima viagem, que se restringiu a Lisboa e que por ser a mais próxima propicia melhores lembranças. As outras ficam para depois.

Lisboa é a entrada natural da Europa para nós, em vôo direto do Rio de Janeiro ou de S.paulo. Nossa estadia na cidade foi de 4 dias na ida e mais 1 na volta do giro que fiz pela Europa. Nesta nossa 3ª. passagem por Lisboa ficamos no Hotel Embaixador, econômico, mas confortável,  próximo à estratégica Praça Marques de Pombal, servida de muito transporte.

Lisboa, capital de Portugal tem cerca de 570 mil habitantes, de certa forma compacta, com topografia acidentada, forte presença do Rio Tejo, que  levou os portugueses a percorrer o Mundo em suas famosas caravelas. A cidade apresenta certa familiaridade para nós brasileiros, pela nossa herança cultural, pela língua (apesar do sotaque e palavras de significados diferentes) e paisagens semelhantes.

Respira-se ainda certo ar de tranqüilidade, de quem deu um tempo para entrar na contemporaneidade e que também convive com muitas coisas tradicionais. Obras historicas de arquitetura se alinham a vários exemplares de construções modernas e contemporâneas.

Lisboa cheira a castanhas assadas nas praças do centro histórico ,na época do outono e sardinhas  na brasa nas ruas da Alfama e bairro Alto.

Não se pode ir a Portugal sem provar o bacalhau, o azeite, o vinho verde, o queijo da serra da estrela, seus doces carregados de gemas de ovos (as claras serviam para engomar as roupas); O bolinho de bacalhau, que além de iguaria nacional serve de parâmetro econômico para o custo de vida nacional. E, evidentemente, sem deixar de ouvir um fado na Alfama ou no Bairro Alto.

Suas mais destacadas atrações estão em bairros próximos ao centro, na Baixa  e no Chiado; Sítios como a Alfama, o Bairro Alto, Amoreiras, Praça da Estrela, bem como um pouco mais distantes como o Belém e a parte Oriental, são fáceis de serem alcançados por transporte coletivo, com destaque para o famoso bonde 28 e uma pequena, mas moderna, rede de metro.

Nesta viagem a Lisboa tive a sorte de ser ciceroneado pelo Antonio, amigo novo, ex piloto da TAP e da Forca Aérea Portuguesa, primo da Priscila e do Elcio Gabrioli colegas brasileiros, que dedicou juntamente com sua mulher Terezina, praticamente todo o seu tempo, me levando pra cima e pra baixo em seu auto, me acompanhando em todos os sítios, num papo alegre e inteligente, inclusive não me deixando dividir nenhuma despesa. Difícil retribuir tamanha hospitalidade. Foi uma maravilha.

Explicação necessária
Os lugares e as obras aqui apresentadas são aquelas que realmente visitamos e documentamos, através de fotos e dados colhidos no local. Eventualmente podemos usar imagens extraídas da net ou scaneadas de catálogos, quando julgamos necessário, para melhor ilustrar os textos apresentados.

-Baixa e Chiado
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                             Rua Almeida Garret                                    

Iniciamos nossa visita tomando a Avenida Liberdade e passeando pela Baixa, tradicional centro histórico e comercial, herança do Marques de Pombal, percorrendo suas ruas e pelo Chiado, a partir da Praça do Rossio, espaços que foram reurbanizados por projeto do Arquiteto Álvaro Siza, após o grande incêndio de 1988.

Tomamos uma bica no café A Brasileira junto com o espírito e a estatua de Fernando Pessoa, da Praça da Figueira, subindo no Elevador Santa Justa, projeto de Raoul Mesnier Du Ponsard, interessante estrutura metálica do final do século 19, para ver uma das belas vistas panorâmicas de Lisboa. Jantamos o clássico bacalhau com vinho nacional no tradicional Café Nicola, outro ícone da cidade e  reduto da boemia e intelectuais portugueses.

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Castelo S.Jorge

Localizado próximo ao centro, numa das suas 7 colinas da cidade, esta Fortaleza medieval, com suas dezoito torres de pedra,  propicia uma das melhores vistas panorâmicas da cidade. Vale a subida.

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    Alfama e Bairro Alto

Redutos dos restaurantes, bares, Casas de Fado e da vida noturna da cidade é composto por ladeiras e ruelas tradicionais, tradicionais casarões geminados, numa paisagem urbana de origem moura, que retrata a alma genuinamente portuguesa.

- Museu do Fado Largo do Chafariz de Dentro / Alfama
 Ótimo museu dessa instituição portuguesa que é o fado e sua guitarra, com direito a uma curta apresentação musical. Fica na antiga estação elevatória de águas do Recinto da Praia.
                    
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Museu Calouste Gulbenkian – Alberto Pessoa, Pedro Cid e Ruy d' Athouguia – 1960-69 
   
Implantado no Parque de Santa Gertrudes, no centro de Lisboa este edifício fruto de concurso publico é um marco arquitetônico moderno da cidade.

Ele é formado por 3 corpos baixos  articulados, que lembram a implantação do prédio da  Bauhaus de Gropius, entremeados por primorosos jardins  de Antonio Viana Barreto.

Esses blocos são a sede da Fundação Gulbenkian, o Museu que reúne toda a coleção de obras de arte de seu fundador e um grande Auditório. Outras dependências de apoio como Biblioteca, Restaurante, anfiteatro ao ar livre, estacionamento, complementam o belo complexo construído.


sábado, 8 de novembro de 2014

A ARQUITETURA NAS MINHAS VIAGENS

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Torre Einstein Potsdam, Alemanha Erick Mendelsohn 1920

Viajar é uma experiência muito pessoal.  Depende do interesse de cada um. As minhas são ligadas a Arquitetura, a observação da paisagem urbana, das condições sociais das pessoas que habitam os lugares visitados.

Acredito que a construção de uma viagem pode se assemelhar ao desenvolvimento um projeto: há uma fase do planejamento, com a escolha do lugar, a análise das opções, do levantamento dos dados e custos, do tempo e recursos disponíveis, da definição e montagem do roteiro, da escolha dos meios de transporte e hospedagem, de eventuais contatos e das obras e atrações a serem visitadas.

A seguir a etapa da sua construção, tomando as providências para obter a documentação necessária, fazer reservas e comprar os bilhetes e passagens, separar e arrumar as roupas e demais tralhas a serem levadas (sempre levamos a mais) e acima de tudo, controlar a ansiedade.

Depois vem a fase da efetiva realização da viagem, do seu desenrolar e desfrute, quando se vai comprovar ou não, se todo o planejamento foi bem feito. Claro que independente dele, sempre haverá surpresas, agradáveis ou não.

Finalmente a viagem só se completa após a volta, quando contamos as aventuras aos parentes e amigos, pagamos as contas penduradas, e começamos a deglutir e assimilar lentamente as lembranças, as informações trazidas até a programação da próxima viagem.  

Das viagens que fiz pelo Brasil e pelo mundo procurarei apresentar algumas impressões gerais, mostrando fatos e fotos, cenas do cotidiano e detalhando as obras de Arquitetura que visitei e que causaram mais impactos e lembranças.

O objetivo é despertar a curiosidade geral sobre determinados lugares e cidades, bem como o conhecimento de suas obras de arquitetura mais significativas.

A seleção das obras, lugares, cidades e países visitados foi efetuada previa e criteriosamente para ir ao encontro do melhor conhecimento das obras no seu contexto e das sensações despertadas, sejam físicas ou mentais, ligadas a apreensão do espaço urbano e habitado, as características de seus habitantes, da sua cultura, dos seus cheiros e sabores, do seu nível de civilidade e outros, movidos inicialmente pela natural curiosidade pessoal, mas também ligado ao interesse profissional.

Não é o mero turismo ou o consumo que me atraem. É algo mais relevante.

Tanto que minhas viagens se constituem numa irrequieta e exaustiva maratona na busca desses objetivos. Infelizmente não dispomos de todo o tempo necessário para o estudo e a avaliação mais profunda dos lugares visitados, pois nessas raras oportunidades, é preciso fazer render o tempo e o suado investimento.

Entretanto procuramos suprir essa deficiência através de três maneiras básicas, seguindo uma metodologia própria e construída pela experiência, a fim de maximizar a compreensão e a assimilação da viagem.

A primeira é realizando um exaustivo planejamento anterior, dirigido aos interesses personalizados, levantando, estudando e reunindo o maior número de informações possíveis sobre cada obra e destino em todos os seus aspectos;

A segunda é coletando todas as informações possíveis in loco, através de todos os meios, sejam fotos, publicações, livros, vídeos, arquivos eletrônicos, etc.

Em terceiro lugar é registrando diariamente, num notebook ou ipad, todos os pontos e atrações percorridas, incluindo transportes e refeições, num diário de viagem, para facilitar a lembrança. Este diário deve ser feito, disciplinadamente como lição de casa, toda a noite no hotel, antes de dormir.

Todo esse cuidado e estratégia permitem curtir a viagem antes, durante e depois, bem como compreendê-la e fixá-la melhor, incluindo a observação de outros aspectos muito importantes dos lugares e seus habitantes, além da Arquitetura. Falo das condições urbanas, sociais e econômicas da população, da gastronomia, das artes, da musica, do folclore, etc.

Como o planejamento não consegue prever tudo, há sempre espaço para o inesperado, quando nos guiamos pela intuição e tomamos caminhos não previstos, apesar dos mapas nas mãos. Isso pode dar novo sabor à viagem, provocando surpresas, agradáveis ou não, mas que sempre complementam as  sensações e impressões da viagem.
Falaremos disso também nas inserções seguintes, pois

VIAJAR É PRECISO.


O SENTIDO DE VIAJAR 2


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A Passarola de Bartolomeu de Gusmão

Na Universidade fiz várias viagens pelo Brasil, de carro ou no ônibus da FAU, o chamado Belo Antonio, que era bonito como Marcelo Mastroianni do filme, mas funcionava pouco. Fomos a  Belo Horizonte e cidades mineiras no carro do pai do Chico Crestana, o Célio (que já viajou fora do combinado), o Sadamu, o próprio Chico e eu.

Com o Belo Antonio, fomos a Bahia em memorável viagem, com a privilegiada companhia de Chico Buarque, Barão, Mane e Cia, todos ainda em fase de aprendizes de artistas e arquitetos, mas já boêmios. Foram tantas as estripulias ocorridas nesta viagem que fica pra uma próxima postagem.

Minha primeira viagem aérea foi de carona num DC-3 da FAB de Brasília a São Paulo, junto com militares e religiosos, depois de participar de um seminário estudantil sul americano. Fora o receio do batismo aéreo, estava com um medo danado, pois era o ano de 63, politicamente quente, às vésperas do golpe de 64 e eu já militava na política estudantil. Mas foi tudo bem e cheguei de surpresa ao casamento do Paulo, meu concunhado, graças à maior velocidade do avião em relação ao ônibus que tomaria.

Já minha primeira viagem internacional se deu de maneira curiosa e afortunada. Fui para o 9º Congresso Internacional de Arquitetos em Praga, ex Checoslováquia realizado em 1967. Eu era formado na FAU somente ha 2 anos e já era sócio do IAB – Instituto de Arquitetos do Brasil - S. Paulo.

Acontece que o IAB resolveu fazer um sorteio de duas passagens entre seus associados e, surpresa, acabei sendo o premiado. Ganhei as duas passagens, de forma aleatória e sem saber, pelo meu numero de associado, tirado pela Loteria Federal.
Quem me informou do resultado foi o Julinho Neves, presidente do IAB na época, que me felicitou, dizendo que era preferível um jovem a um arquiteto já maduro, que poderia pagar a passagem. Chocado com a surpresa, não sabia o que fazer.

Com 2 anos de formado eu não tinha onde cair morto; Começava  engatinhar na profissão, sem recursos, ainda com muitas pendências financeiras da formação, procurando o que fazer e que caminho tomar. Não tinha a menor condição de enfrentar essa batalha. Não tinha dinheiro, mas em compensação não tinha maiores vínculos: não tinha emprego fixo, nem mulher ou filhos e, minha mãe ia tocando o barco com a ajuda da minha irmã. Assim, não precisava convencer ninguém, além de mim e criar as condições favoráveis.

Todos os colegas me deram a maior força. O que fazer? Acho que faltavam uns 10 dias para a partida. Assanhado com a possibilidade aberta, mas sem muita esperança de chegar lá. De repente surgiu a saída mágica para solucionar o problema principal que era a grana. Como havia ganhado duas passagens, pois o IAB previu um acompanhante ao sortudo, achei uma alma caridosa que resolveu comprar a 2ª. Passagem. Meu querido amigo e colega Paulo Lucio de Brito, a quem também devo este presente.

Ai começou a maratona para viabilizar nossa ida. Fazer as reservas, a inscrição, tirar os passaportes, vistos, arrumar roupas, montar um roteiro e todo o mais necessário para uma viagem internacional, sem nenhuma experiência. O resto da preparação se deu numa louca seqüência de festas para a despedida. 

Nessa época havia festa praticamente toda a noite sob qualquer pretexto. Lembro que era 67, politicamente complicado, mas ainda com muita agitação, reuniões e muitas festas, por qualquer motivo, que varavam a noite. Bebia-se de tudo. Pitu, cerveja, vodca, o que viesse. Curioso que quase não rolava droga. Algum baseado e olha lá.

Aproveitei o pretexto da viagem para transar com todas as namoradas e pretendentes que disputavam a 2ª. Passagem para ir comigo. Malandramente eu escondi que já a tinha vendido para o Paulo Lúcio.

Assim foi meu batismo internacional quando embarquei para Praga, com escala em Dakar, num avião fretado da Air France onde se bebia e cantava do começo ao fim da viagem. Coitados dos coroas que queriam dormir.

O Congresso, os lugares percorridos após, os personagens envolvidos e as peripécias decorrentes ficam para uma próxima inserção.

Esta introdução, que acabou ficando um pouco longa, serviu como ilustração do meu despertar e iniciação na arte de viajar e do desejo e prazer que essa rica atividade proporciona.



O SENTIDO DE VIAJAR 1


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                                                                      Easy Rider

“Um homem precisa viajar por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou tv. Precisa viajar por si, com seus olhos, com seus pés para entender o que é seu, para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor” Amyr Klink.


Viajar é uma das experiências humanas mais incríveis. Seja um simples fim de semana na praia ou no sitio, ou mais prolongada, nacional ou internacional, sempre vale a pena quebrar a rotina, conhecer outras culturas, viver novas experiências.

Considero que viajar é um bem inalienável, uma saudável ocupação, um refinado prazer para o corpo e para o espírito. É como coçar. Quando se começa, não se quer parar. Precisamos viajar como precisamos dos amigos.

Há uma infinidade de razões para viajar. Por necessidade, a trabalho ou numa emergência; para estudar, aprender ou se reciclar; para consumir compulsivamente; por recreação, esporte ou lazer; por curiosidade intelectual ou ainda em busca do autoconhecimento; para usufruir de premio ou conquista; em missão cientifica, por motivos religiosos e tantos outros, até chegar no final, lamentavelmente, a viajar para nunca mais voltar.

Apesar de infância pobre, tive algumas alegres experiências nesse sentido.

Minha primeira viagem, que tenho lembrança, creio que foi para Aparecida do Norte, ainda pequeno levado pela minha mãe, que sempre foi “rueira”, em que fomos pagar uma promessa caso eu “vingasse”. Ela acenderia uma vela do meu tamanho na Basílica da padroeira do Brasil, como era usual naqueles tempos.

Segundo ela, que já se viajou pro além aos 73 anos, tive um tratamento pré-natal difícil durante toda a sua gravidez, para me manter sem risco. Isso porque meu primeiro irmão, que se chamaria Edmur, não resistiu os primeiros dias de luz, pois meu pai teve uma doença que transmitiu a ele e comprometeu sua vida. Devo ter dado tanto trabalho, desde esses primeiros momentos, que a mulher que cuidou de todo o pré-natal e que participou do parto, a parteira Brígida, virou minha madrinha.

Depois me lembro de ter ido a Santos, ver o mar pela primeira vez, também levado pela minha mãe e uma amiga, no tempo que era uma longa viagem, desde o Brás onde morávamos. Já tinha meus 10 anos.  Passamos o dia na praia do Gonzaga, alugando aquelas cabaninhas de madeira que existia antigamente para guardar e trocar as roupas dos banhistas de um dia.

Também, ainda na infância, me lembro que ia de trem para Araraquara, no interior de S.Paulo, terra dos meus avós maternos; Ia com meu primo Adilson, nas férias de fim de ano.  Era uma verdadeira epopéia cheia de gente, tralhas e bagagens. Era uma alegria geral. 
A começar pela imensidão da bela Estação da Luz, e do medo de se perder, pela magia da ferrovia, pelos belos trens da Cia. Paulista, do apito da partida, e já no interior do vagão de 2ª classe, do vendedor de sanduíches, de revistas que passavam, do banheiro, do carro restaurante, do fio passando do lado de fora da janela, subindo e descendo , das pessoas vendendo coisas nas estações que passavam.

Jundiaí, Campinas – baldeação para a Mogiana, Americana, Itirapina, Rio Claro,  São Carlos, antes de chegar a Araraquara, a morada do Sol e das perfumadas arvores pela cidade, depois de umas 7 horas de viagem de pura alegria e contentamento.

As férias em Araraquara merecem um capitulo a parte para contar da imensa casa do meu avo Pascoal,vindo da Calábria, na Avenida 7 de Setembro,  que tinha mangueiras, jabuticabeiras, cabritos, galinhas, parreira de uva e sua carroça com a égua branca, que nos levava à caixa d’água e das suas pantagruélicas refeições nas festas de Natal e Ano Novo; do footing no centro da cidade, da piscina da  Ferroviária de esportes, do calor permanente, dos meus tios e primos. Voltaremos a ela.

Talvez venha desses tempos minha permanente vontade de viajar, de sair pelo mundo.


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

LISBOA 1 / Set 2010


Parque das Nações – 1998

Com o mestre Antonio (foto) de guia fomos ao Parque das Nações, vitrine de Arquitetura contemporânea, construído para a Exposição Mundial de 1998, para visitarmos alguns dos seus edifícios mais significativos, que apresentamos a seguir.


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     Pavilhão de Portugal – Álvaro Siza – 1996-7

Símbolo do Parque e da cidade de Lisboa sua característica principal é a laje de cobertura de uma imensa praça aberta. Dois blocos laterais ancoram uma fina laje protendida, que faz a cobertura dessa praça aberta, chamada “pala” que faz alusão aos toldos da praia próxima, como diz o arquiteto. Na imagem aparece meu amigo Antonio como escala humana.

      
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  Estação Oriente, Santiago Calatrava, 1998

Construída para a Exposição de 98 caracteriza-se por suas estruturas metálicas em forma de folhas, cobertas por vidros transparentes que protegem as plataformas e as linhas férreas da estação. Ela está integrada aos outros edifícios e equipamentos do Parque das Nações. Esta obra foi premiada em 1999.


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Pavilhão da Utopia, Regino Cruz e SOM (Skidmore, Owigins & Merryl) 1998

É uma grande arena coberta multiuso, destinada a espetáculos e  eventos de varias naturezas, com capacidade para 20.000 espectadores. Semi-enterrada sua cobertura, em estrutura de madeira, lembra um casco de barco emborcado, ou um animal marinho, alusão ao seu objetivo inicial como Pavilhão Atlântico. 

Alem dessas obras marcantes o Parque das Nações conta com vários outros edifícios como a Torre Vasco da Gama, o Pavilhão do Conhecimento, o Oceanario, articulados por espaços livres e inúmeras alamedas com belo paisagismo. Dele também se pode avistar a ponte 25 de Abril, originalmente Salazar, que cruza o Tejo em direção a Almada.

O Parque das Nações possui muitos outros edifícios interessantes, sejam institucionais, residenciais, comerciais, hotéis, shopping Center, restaurantes, bares, de renomados arquitetos, podendo também ser percorrido por moderno teleférico
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No Bairro de Belém situado a beira do Tejo, no seu lado oeste, destacamos as seguintes obras e atrações:
  
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Mosteiro dos Jerônimos – Diogo Boitaca, 1502 

Monumental joia arquitetônica de estilo Manuelino, construído com pedras brancas ricamente trabalhadas e dedicado aos descobrimentos portugueses é patrimônio da Humanidade desde 2007. Abriga Igreja de Santa Maria de Belém com monumental Nave e claustro, bem como vários jazigos reais, museus ligados a navegação e ciências.


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Torre de Belém – Francisco de Arruda, 1514 

 Junto ao Mosteiro dos Jerônimos esta construção também está ligada aos descobrimentos portugueses, servindo inicialmente como defesa da cidade até se transformar em símbolo da cidade. É considerado patrimônio cultural mundial desde 1983.

 - Pasteis de Belém
Que não tem nada a ver com os conhecidos pasteis fritos brasileiros. Esses são os tradicionais doces de nata e gemas de ovos assados e polvilhados com açúcar e canela, fabricados pela Antiga Pastelaria de Belém, com receita sob segredo. Constituem um verdadeiro patrimônio gastronômico da cidade. Impossível comer um só. Compra-se uma caixinha com vários. Uma delicia.


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  Centro Cultural Belém – Manuel Salgado e Vittorio Gregotti – 1992

Monumental centro de exposições e conferencias de linguagem moderna, construído em pedra rosada e brilhante, junto ao Tejo e ao monumento Padrão dos Descobrimentos, na frente do Mosteiro dos Jerônimos, as vezes criticado por obstruir sua visão do Rio. Possui imenso auditório e espaços interiores muito generosos.


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Farol de Navegação – Gonçalo Byrne – 2001

Criativa releitura contemporânea de um farol tradicional, esta torre destina-se a sinalização, controle e orientação de navegação do Rio Tejo no seu estuário junto a Lisboa. Como que ancorado numa ponta de pedra tem a interessante forma de um leme iluminado e com sofisticados equipamentos de controle.

Arredores de Lisboa
Como já havíamos ido a Sintra, Estoril nas anteriores estadas, desta vez buscamos outras opções, fora Cascais que repetimos.

Cascais: Desta vez, sempre guiados pelo mestre Antonio, esticamos até Cascais, balneário que está bastante transformado em relação à primeira. vez que lá estivemos. Muitas construções novas de estilo internacional, competindo com os espaços tradicionais, inúmeros turistas nos bares e restaurantes.

Mafra: O destaque de Mafra é o seu Palácio Nacional com sua Basílica e o convento do século XVIIII.

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 Ericeira

Bela Vila de pescadores na beira do Oceano Atlântico, situada a 50km a noroeste de Lisboa, em recente processo de transformação edilícia.
O mar está muito abaixo da orla, com ondas fortes otimas para o surfe, separado por muros onde as pessoas se debruçam para apreciar o mar, ficando de costas para as vias marginais; por esse motivo os lusos chamam esses muros, de forma gaiata, de ¨os muros dos cus¨.
Em fino restaurante a beira mar saboreamos inesquecíveis camarões gigantes e um fresquíssimo peixe na brasa, acompanhados de um ótimo vinho branco, descortinando a paisagem marítima.

Oeiras 
Populoso e extenso distrito de Lisboa, pólo industrial e comercial e sede de varias empresas multinacionais. Dentre seus vários monumentos culturais visitamos o histórico Estádio Nacional Jamor de 1944, incrustado num belo parque, ameaçado de demolição.



Guias de Arquitetura Portuguesa

Para aqueles que querem saber mais sobre a Arquitetura de Lisboa e Portuguesa recomendo as seguintes leituras:

- Guia Urbanístico e Arquitectonico de Lisboa – Associação Arquitectos Portugueses, Lisboa 1987.
- Viagem a Portugal de Jose Saramago – Cia das Letras, S. Paulo, 1997
- Arquitectura Popular em Portugal (2 volumes) de João Afonso. Associação dos Arquitectos Portugueses, 2003
- Descontinuidade. Arquitectura contemporânea norte de Portugal. Civilização editora 2005
- Gulbenkian – Arquitectura e Paisagem, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa 2007.