quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Três Tempos


REFLEXÕES 15 / TRÊS TEMPOS – Antes, durante e depois

Como num filme, o desenrolar das nossas vidas corre basicamente por 3 etapas temporais distintas: as passadas, já conhecidas e definidas, as presentes, que estão em andamento e se desenrolando agora e outras futuras, cujos prognósticos são desconhecidos, apesar do final previsível.

Creio que há um certo desequilíbrio e assimetria entre esses 3 momentos da nossa vida.
Enquanto o passado é o tempo vivido, como um baú fechado, o presente está transcorrendo neste momento e o futuro é aquele que se vislumbra, vivemos sensações diversas e de intensidades diferentes em cada um desses momentos.

Assim. o PASSADO é um reservatório cheio, um livro já escrito, como um deposito repleto de acontecimentos, história, lembranças e reminiscências, o presente representa o estado atual momentâneo se desenrolando e o futuro é sempre aquela incógnita temporal imponderável.

É no passado que estão guardadas, na nossa memória, todas as imagens e registros importantes vividos, de forma nítida ou enevoada, desde o nosso nascimento, crescimento, formação, processo de amadurecimento e envelhecimento, contando as alegrias e tristezas, conquistas e perdas, amizades e amores havidos e todo o conhecimento acumulado.

Quantos acontecimentos, emoções que se desenrolaram, desde o início que viemos à luz até o dia de ontem, onde os planos e realizações que ocuparam nosso   tempo ficaram marcados para sempre.

As festas, os aniversários, os almoços de domingo,  as uniões e relacionamentos, o primeiro beijo,  a formatura, a luta pelo trabalho, a primeira vista do mar, o primeiro salário,  os períodos políticos difíceis, a casa nova, o primeiro carro, o nascimento dos filhos e dos netos, as perdas e lutos familiares e dos amigos próximos, os sustos das fraturas e  doenças, os desencantos e todos os demais eventos que ficaram indelevelmente fixados na nossa memória.

É no passado que está nosso registro histórico, as descobertas, o aprendizado, a construção e a consolidação do conhecimento, do nosso patrimônio, onde os erros nos ensinaram o caminho do aperfeiçoamento.

Tem gente que não consegue se desligar do passado, onde tudo era bom, segundo elas. Carregam um peso considerável, que atrapalha a continuidade da vida de forma saudável.

Já o presente, o HOJE, que está em movimento, representa sempre um desafio de adaptação ao momento, às mudanças de condições, aos novos tempos, às limitações físicas e mentais, ao avanço da tecnologia, à velocidade na circulação de dados e informações, a virtualidade das relações, aos novos paradigmas.

Ele pode correr de forma anódina, um tanto insipida e indelével, parecendo ocupar o tempo lenta e inconsequente para uns, como frenético para outros. Depende da fase da vida em que nos encontramos.

No nosso caso, que estamos fora do mercado produtivo, o hoje corre mais lentamente, como numa velocidade analógica, artesanal, mais presencial e sem compromissos formais, numa última tentativa para usufruir dos prazeres e obrigações mínimas que ainda restam.

Diferentemente de outros, principalmente a nova geração, que acredita que o importante é o VIVER AQUI E AGORA, de uma forma egoística e virtual, ignorando o conhecimento histórico do passado e como se o futuro não existisse ou não importasse.

Essa geração se distingue da nossa não só pela velocidade na forma de viver, e até de falar mais rápido, fruto da ansiedade, da revolução tecnológica, dos algoritmos, como também por seus valores morais e sociais diferentes, de como encarar a perspectiva de vida, o sentido da propriedade, o acúmulo de patrimônio material e tantos outros.

Sem fazer juízo de valor, é uma geração individualista, pragmática, do cultivo ao corpo, impaciente, consumista, que quer o sucesso e riqueza a todo custo.

Quem ignora o passado corre o risco de repetir seus erros ou sem planejamento estratégico não se chega a lugar algum, foram os ensinamentos que os antigos nos martelavam sempre.

Claro que não sabemos qual dos caminhos é o melhor, mais consequente e exitoso; tendo consciência que falhamos em vários pontos na nossa trajetória; desejamos que os que nos sucedem tenham melhor resultado. Não só para si, mas também do ponto de vista social.

Quanto ao nosso FUTURO em particular, ele se apresenta num horizonte de tempo mais curto e imediato, face aos mais de dois terços de caminho percorrido; não sei se acrescentará mais muitas novidades, apesar de estarmos abertos a elas.

Em compensação o da humanidade, se me permitem a presunção de especular, muitos desafios de toda ordem estão postos; sejam em relação aos avanços tecnológicos, a degradação do meio ambiente, a superação das desigualdades, as mudanças de comportamento etc.

Eu da minha parte, estou satisfeito com o meu ciclo temporal de vida; mas ficaria muito mais feliz, num futuro não muito distante, se houvesse paz e harmonia entre as pessoas e nações, se fosse eliminada a fome, a miséria as desigualdades, as iniquidades, a intolerância, o racismo, e todas as mazelas que ainda atacam a humanidade em pleno século 21

Como vêm, sou um sonhador inveterado.  Ainda bem. Viva os nossos 3 tempos.

Edison Eloy de Souza / janeiro 2020


Meu tempo de Vida



REFLEXÕES 2 / MEU TEMPO DE VIDA


A medida do nosso tempo de vida ou da nossa idade depende do aspecto que se observa ou se analisa.

Nossa expectativa de vida está naturalmente ligada ao nosso DNA, ao próprio estilo de viver, ao destino, que alguns acreditam estar nas mãos de Deus.

Minha expectativa de vida está estimada em mais 10 anos, segundo os médicos e meu sentimento e desejo. Oxalá acontece com saúde e lucidez.

Cronologicamente sou considerado um idoso, um cara longevo, felizmente, já que estou há alguns meses dos 80 anos, com todas as benefícios e consequências disso. Acho que a Dona Júlia e seu Joaquim, meus pais, capricharam em mim nesse sentido, pois sou um cara duro na queda.

Francamente não me sinto como essa idade, pois meu espírito é jovem.
Estou bem disposto, tenho um tipo físico privilegiado, alto (1,75m), magro (75 kg) e como se pode ver na foto ainda com uma certa elegância, modéstia à parte.

Continue caminhando bastante e regularmente. Longe de querer parecer, se portar ou se trajar como jovem, o que seria ridículo e falso.

Claro que fisicamente tenho várias marcas e limitações de idade, pela quilometragem vívida. Cabelos brancos, várias pintas que a denunciam, pouca massa muscular, um pouco arqueado pelos anos de prancheta de desenho e lentidão ao caminhar e fazer as coisas, pois já não tenho mais pressa.

Dos homens, guardo uma cirurgia de amígdalas quando era pequena, troquei uma válvula aórtica orgânica há três anos, fiz uma cirurgia recente de ombro para ligar os tendões estourados, uso de óculos, a audição já está prejudicada e algumas peças quebradas foram reparadas, com algumas sequelas.

O funcionamento das entradas, do serviço interno, precisa de bastante atenção permanente, com controle através de vários medicamentos, que nos torna cativos das indústrias farmacêuticas. Tomo 10 remédios ou suplementos por dia, para todo tipo de reparo ou deficiência: pressão arterial, ácido úrico, diabetes, artrose, próstata, osteoporose etc.

Com relação à falta de saúde, agora com uma nova surpresa: Câncer na próstata em estágio intermediário, sem metástase, que devo fazer radioterapia para resolver mais esse desafio. Com isso a libido, ainda presente, fica prejudicada.

Quanto a alimentação procure levar uma dieta saudável composta de comida leve, com pouco sal, muitas frutas, legumes, e sucos naturais. Às vezes ataco uma feijoada, um belo churrasco ou comida japonesa ou árabe.

Aboli as frituras, o açúcar e os refrigerantes há muito tempo. Nunca fumei, nem substâncias permitidas ou proibidas. Gosto de uma bebida alcoólica, seja destilada, como whisky ou fermentados como vinhos, pouca cerveja; mas infelizmente nem sempre posso desfrutar desses prazeres por problemas intestinais ou gástricos.

Quanto ao sono, elemento fundamental para a saúde, não consigo a qualidade desejada, pois durmo a prestação, pelo problema da hiperplasia da próstata, que me obriga a levantar várias vezes para esvaziar a bexiga, que sempre deixa exclusão.

E a saúde mental, essa peça fundamental, como está?

Acho que vai bem, pois me procura manter equilibrado e controlado, tentando espantar as crises de solidão, ansiedade ou depressão, homens psíquicos que certamente podem afetar nosso equilíbrio emocional.

Enfrento com coragem as provas ou provocações da vida, que não são poucas. Por experiência e temperamento procure conviver, com simplicidade, inteligência e serenidade, a todas as alegrias, frustrações, perdas e relacionamento doloridos, selecionadas pelo longo caminho.

Não vivo alienado. Continuo indignado face às situações sociais iniquas, à desigualdade, às políticas públicas atrasadas e demagógicas e a todos os atentados contra a democracia e o avanço humano.

Continue ligado e interessado nos acontecimentos atuais, muita curiosidade e observação, escrevendo muito, lendo, passeando, visitando visitas, indo ao cinema, e aos restaurantes. Enfim, praticando o ¨dolce far niente¨, mas plugado.

Claro que alguns lapsos de memória acontecem, pois sua saturação de dados e informações num cérebro bastante usado devem funcionar seletivamente, por preservação ou desculpa. Isso nos livra de situações ou pessoas chatas.

Sinto falta de um lado espiritual mais desenvolvido, que me ajudaria muito a enfrentar meus fantasmas, mas o outro lado agnóstico e positivista impede esse desenvolvimento, por ser mais forte.

Reconheço que não levo a vida de um clássico clássico, isto é acomodado, alienado com uma rotina estabelecida, monótona, em casa ou frequentando o mesmo grupo de amigos para jogar baralho ou dominó, esperando o Alzheimer, o Parkinson ou a morte chegar.

Pelo contrário contínuo ativo, inquieto, curioso, circulando o tempo todo, ainda me indignando com as desigualdades e injustiças do mundo atual e buscando acompanhar os avanços tecnológicos contemporâneos e suas transformações.

Continuo criando e executando planos e projetos. Sonhando sempre, com espírito jovem.
Como vocês sabem, vivo só, sem compromissos formais, com as vantagens e vantagens dessa condição, o que me dá toda a liberdade de acordar tarde, viajar, passear com os netos e almoçar com amigos e parentes.

Vivo num lugar privilegiado, que é a região da Avenida Paulista, onde a vida é facilitada por todo tipo de serviços de consumo, médico, transporte, lazer e cultura. Tenho a vantagem de pagar meia entrada em todos os programas culturais e gratuidade no transporte público, o que ajuda muito o bolso
.
Ainda toco meu pandeirinho e tenho escrito muito, botando para fora minhas reflexões, numa espécie de catarse, como estas, que me ajudam a tocar o barco.

Nesses aspectos, sinto-me privilegiado, considero-me feliz.

Assim, procure levar minha idade que sinto, esperando que dure o mais possível, com esta mesma qualidade. O tempo dirá até quando.

Edison Eloy de Souza / dezembro de 2019


O que diferenciam as cidades


O QUE DIFERENCIAM AS CIDADES?
Como identificar a cidade e o lugar onde nós estamos?
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Num post anterior abordamos a homogeneidade e uniformização das cidades, fruto da globalização. Agora vamos nos debruçar naquilo que as diferenciam.

Como descobrir ou identificar o que há de próprio e característico nelas, além da homogeneização sofridas pelas metrópoles e cidades globais?

Como se libertar da mesmice urbana, das mesmas soluções e de comportamento humano padronizadas, contrarias à individualidade e a criatividade?

Se dependesse só dos interesses das grandes corporações e capitais internacionais, provavelmente as cidades seriam todas iguais, para serem mais eficientes, econômicas, eficazes, controladas e dominadas como num estado orwelliano moderno.

Em quais aspectos gerais e sinais particulares elas podem se diferenciar, apesar dessa opressão pela homogeneidade, pasteurização e controle? Quais são suas características próprias, que agradam seus habitantes e atraem os turistas?

Acreditamos que inevitavelmente essas diferenças passam por inúmeras características próprias que as tornam únicas, não só nos detalhes, mas na sua essência.
Fatores como seu nível de desenvolvimento científico, econômico e cultural, sua infraestrutura, a sua geografia, seu traçado físico estrutural, a forma de exercer sua mobilidade, o seu dinamismo ou tranquilidade, a sensação de segurança ao caminhar ou se locomover;

 As suas áreas verdes, os seus monumentos históricos, o seu clima, a sua cultura, a sua gastronomia, a sua limpeza, o seu cheiro, (sim, cada cidade tem um próprio) os seus edifícios icônicos, o tipo físico dos seus habitantes, o seu idioma falado e tantos outros particulares são decisivos nessa diferenciação.


Claro que algumas construções icônicas, alguns edifícios especiais e certos predicados naturais ou acidentes geográficos têm um peso significativo na identificação dessas cidades; mas essas não são suas únicas marcas. Há um sem número de outros fatores que contribuem para sua identificação, a influência que elas exercem e a paixão por essas cidades.

Paris não é só a Torre Eiffel e o rio Sena. Londres não só o Parlamento Britânico e o Rio Tamisa. Nova York não é só a estátua da Liberdade e o Central Parque? Roma não é só o Coliseu e o Vaticano. O Cairo não é só suas pirâmides ou os souks. Veneza não é só a Praça São Marcos e os seus canais. Amsterdam não é dó seus canais e bicicletas.

Claro que todos esses edifícios e sítios contribuem para a imagem dessas cidades, e as vezes se confundem com elas de forma reduzida. Mas elas têm muito mais a oferecer.

Felizmente as cidades desenvolvidas como estas conseguem romper essa tentativa de homogeneização globalizada, através das suas geografias privilegiadas, da preservação de seus monumentos construídos, da sua constante renovação, das suas atrações culturais, gastronômicas, da criatividade dos seus habitantes e dirigentes.

Independente das suas mazelas sociais e políticas, pois todas cidades têm as suas, umas mais outras menos, ligadas a desigualdade, a imigração, a xenofobia, a falta de infraestrutura, poluição, mobilidade, sustentabilidade, elas acabam se destacando em algum aspecto de qualidade, civilidade ou  exotismo.


Como não se encantar com a oferta cultural de cidades como Nova York, Paris, São Paulo, Madrid, Lisboa, Florença, Veneza, Atenas, Londres, Ouro Preto,
As belezas naturais do Rio de Janeiro, Machu Pichu, Fox do Iguaçu, Veneza, São Francisco, Chicago, Parati, os glaciares da Patagônia, Lençóis Maranhenses e tantas outras maravilhosas.

Pelo seu traçado Urbanístico original como Brasília, Barcelona, Paris, que acarretam conformações urbanas diferenciadas das geometrias modulares convencionais quadriculadas.

Há cidades, inclusive, que constroem ou recuperam áreas degradadas através de edifícios icônicos, como forma de alavanca-las econômica e culturalmente elevando sua autoestima , como fizeram Seul com seu rio Cheonggyecheon,  Nova York com a High Line, Buenos Aires com Puerto Madero, Bilbao com o Museu Gugheiheim, Medellín e Bogotá com o plano de Bibliotecas Públicas, Rio de Janeiro com  Porto Maravilha, são exemplos exitosos nesse sentido.

Se acrescentarmos as ofertas e iguarias gastronômicas a ampliação é quase infinita, entre a maioria das cidades sempre há um destaque: as italianas com as suas massas e vinhos, as tapas espanholas, os doces árabes e portugueses, as carnes uruguaias, argentinas e gaúchas, as baguetes e pâtisserie francesas, o acarajé baiano e tantas outras que dão água na boca.

A esses fatores materiais é fundamental destacar o elemento humano, aquele que as constrói e mantém e que completa essa diferenciação de maneira indelével. Não falo só dos seus traços físicos diferenciados, apesar de hoje já muito miscigenados.

Como separar a Itália de seus habitantes na forma falar alto, das expressões e de gesticular para se expressar; como não regatear num mercado árabe? Como não se encantar com a educação do povo japonês? Como não ficar esperto para não se enganado num taxi ou num comercio na maioria das cidades turísticas? Como recusar um brinde de vodka de um russo? Um cafezinho brasileiro?

Como se vê, é possível romper com aquelas amarras da globalização que tentam homogeneizar em empobrecer as cidades e seus habitantes, com soluções que revelam inteligência, criatividade. e opções políticas acertadas.

VIVA A DIFERENÇA.  


Colecionando Eufemismos


COLECIONANDO EUFEMISMOS

Usados como malabarismos linguísticos, figuras de linguagem, politicamente correto ou clara hipocrisia.

- Excludente de ilicitude (Licença para matar)
- Foi embora antes do combinado; partiu desta para melhor; abotoou o paletó ( morrreu)
- Ela é de cor. (em vez de preta) prática de racismo
- O governo vai fazer um reajuste (e não aumento)
- Ele está na melhor idade (e não velho)
- Algumas pessoas são desprovidas de inteligência. (burro)
- Apropriação indébita do bem público (Corrupção, roubo)
- Corrupção ativa e passiva (roubo)
- Agravo de instrumento. (Recurso interposto)
- Política de cotas (reparação social tardia)
- Política de gênero (proteção às mulheres)
- Fake News – (notícias falsas)
- Trânsito em julgado (=impunidade por recursos infinitos)
- Ilicitude – (ação culpável, crime)
- Trabalho forçado – (Escravidão)
- Método de dissuasão – (Tortura)
- Pessoa com necessidades especiais – (deficiente físico)
- Sem taxas de juros – (falsa)
- Faltou com a verdade – (mentiu)
- Ela está naqueles dias – (menstruada)
- Convidado a se retirar – (mandado embora)
- Produtora de biografias orais não autorizadas – (fofoqueira)
- Mulher da vida – (prostituta)
- Pessoa em situação de rua – (desabrigado, abandonado)
- Consumidor de substâncias ilícitas – (drogado)
- Portador de drogas(traficante)
- Propaganda enganosa – (mentira)

Das Doenças


DAS DOENÇAS (Satisfação aos queridos amigos)

Para elas não há domingos, feriados, Natal ou Ano Novo. Aparecem sorrateiramente, atingindo a todos nós e permanecem quando menos se esperam, obrigando-nos a tratá-las, com sofrimento, diminuindo o ritmo de atividade, a fim de aumentar a longevidade com saúde.

Mesmo com cuidados periódicos, surge uma anomalia do nada, uma ou mais células fora de controle, se instalando como enfermidade no nosso maravilhoso corpo.

Mesmo sendo um texto pessoal, ao publicá-lo, espero ser útil para muita gente.

Novamente estou envolvido com novo problema de saúde, agora com a detecção de um câncer na próstata. Está bem que é um problema recorrente inevitável da idade, mas que quando nos acomete, exige cuidado e atenção, pois pode ter consequências e sequelas complicadas.

O estigma em relação à própria palavra câncer e a doença em si, já diminuiu muito graças as campanhas públicas de prevenção e ao tratamento que evoluiu bastante, pela grande incidência desse tipo de câncer em homens e de mama nas mulheres.

Das alternativas apresentadas pelos urologistas, cirurgia ou radioterapia, ficou definida a segunda, pois a primeira aumentaria o risco pela idade (sempre ela).

Os médicos e os amigos que já passaram por isso procuram me tranquilizar, mas sempre é um tratamento que causa apreensão, desconforto e leva tempo. Em torno de 6 meses, se tudo correr bem.

Está previsto seu início para agora em dezembro com a aplicação de injeção para diminuir a testosterona, destinada a dar combate inicial as células cancerosas, dar maior eficácia à radioterapia e ainda diminuir o volume da próstata.

A outra injeção está prevista para marco/2020 após as sessões de radioterapia.

Como consequências ou sequelas da injeção sentirei cansaço, calor, diminuição ou perda da libido. Parece que ela aumenta nosso lado feminino.

A radioterapia está prevista em 38 sessões diárias de 2ª. a 6ª. feira, com pausas nos fins de semana, a começar em janeiro.

Felizmente não preciso de quimioterapia, pois os exames de cintilografia e tomografia não revelaram metástase.

As chances de cura são superiores a 90%, segundo as estatísticas, dependendo do caso e do paciente. Estou otimista, já que confio na Prevent Senior, meu convenio, em São Paulo, que utiliza os melhores profissionais e equipamentos e instalações modernas, seguindo os protocolos do Ministério da Saúde.

Não sei como seria se ainda tivesse em São Vicente e sem plano de saúde.

Situação posta, luta a ser enfrentada. Vamos que vamos. Obrigado pelo apoio.


As Cidades estão todas iguais/


AS CIDADES ESTÃO TODAS IGUAIS?
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Todas as metrópoles e cidades grandes, fruto do fenômeno da globalização, acabaram por apresentar uma parte considerável do seu território com uma impressionante uniformização no aspecto visual da sua paisagem urbana.

Não precisa ser muito observador para comprovar essa afirmação na estrutura urbana de São Paulo, por exemplo, composta pela maioria das principais vias comerciais da nossa cidade. Minhas andanças paulistanas, como um curioso e interessado nas questões urbanas corrobora essa assertiva.

Pelo menos do ponto de vista da ocupação dos seus pontos comerciais e de alguns serviços locais, nas várias regiões da cidade, há uma uniformização impressionante, com sutis diferenças, manifesta pela presença e a padronização dos seus elementos de identificação e comunicação.

Excetuando algumas ruas diferenciadas de comercio especializado ou sofisticado, como Ocar Freire, São Caetano, Florêncio de Abreu, dificilmente você diferencia se está na Avenida Jabaquara, na Avenida Penha de França, na rua São Bento, rua Voluntários da Pátria, Rua 12 de Outubro, entre outras.

São sempre os mesmos estabelecimentos: Mc Donalds, Pizza Hut, Drogasil, Raia, Bradesco, Itaú, Santander, Casas Bahia, Marisa, Pao de Açucar, Casa do Pão de Queijo, Pernambucanas, .Havaianas, Dr.Consulta, Toyota, VW, Igreja Universal, Kalunga, Shell, Petrobras, a ocupar nossas vias principais.

Nota-se, porém, lamentavelmente, a falta de livrarias, equipamentos culturais e de lazer, áreas verdes, mas sobram farmácias e drogarias, como marca registrada de uma cidade doente com habitantes idem.

Hoje até a maioria dos edifícios corporativos das cidades globais guardam bastante semelhança, pois tem a mesma linguagem arquitetônica, na volumetria, no emprego dos materiais de construção e acabamento, contribuindo assim para confundir uma cidade com outra.

Complementarmente isso vale também para a sinalização urbana das vias, o posteamento, a balburdia da fiação, os pontos de ônibus, as bancas de jornais, algum mobiliário urbano quando existe, que são padronizados, o que contribui bastante para essa uniformização. Excetuam as linhas de ônibus e de metro que, pelo menos, tem cores e números diferentes.

Curioso observar que também as pessoas que circulam pelas cidades guardam uma certa semelhança, mesmo que seja por modismos. Os executivos com seus ternos e gravatas quase iguais; os demais funcionários, como robôs. exibindo seus crachás pendurados. Os demais transeuntes se comportam e se trajam de forma mais descontraída, tem cabelos revoltos e coloridos, tatuam o corpo inteiro e falam uma língua própria, principalmente os jovens. Mas também estão muito parecidos.

Todos, sem exceção, não largam o respectivo celular, talvez o objeto que une todas as pessoas do planeta.

Até na onda repressão aos protestos por liberdade e melhores condições de vida, que toma conta do mundo, as cidades estão se parecendo; prevalece a violência policial contra  manifestantes indefesos, como num sinistro balé orquestrado, oriundo de uma mentalidade militar unificada.

Parece que você está sempre no mesmo lugar da terra.  Que é redonda, diga-se de passagem.

Numa cacofonia e poluição visual, as identificações e comunicações desses estabelecimentos das redes são expressos com bastante  agressividade, através dos seus luminosos, logotipos, cores e toda sorte de apelo publicitário, disputando o olhar e a atenção do consumidor, sacrificando e escondendo os edifícios e a identidade do lugar.

Essas grandes redes e cadeias de varejo e serviços, como os supermercados, os shopping centers, escolas, igrejas, consultórios, agências bancárias, fast foods, drogarias, barbers-shop, padarias, postos abastecimento, lojas de eletrônicos, de informática, pastelarias e demais estabelecimentos traduzem esse macaquice cultural de terem seus nomes escritos em inglês, como se isso refletisse alguma qualidade inerente.

Raramente sobrevivem os pequenos comerciantes locais, aquele saudoso mercadinho da caderneta, o açougue, a mercearia, a quitanda, o sapateiro, o bar da esquina, que foram sufocados pelas grandes corporações nacionais e internacionais.

O limite dessa situação de conformidade globalizada, talvez seja um passeio por qualquer shopping center para se sentir assim, como se tivesse em qualquer cidade do mundo.  Ele é estruturado em um labirinto deliberado, com escadas rolantes desencontradas, composto por um mix de lojas das grifes globais mais famosas, praças de alimentação, cinemas, etc, transformados em templos sagrados do consumo moderno.

Nesses shoppings tem presenças garantidas: Lacoste, Occitane, Le Lis Blanc, Le Postiche, M.Officer, Natura,Nexpresso, Outback, Havana, Vivara, Vila Romana, Vivo, Zara, Zelo, Renner, Julio Okubo, Intimissimi, Sansung, Aple, Crawford, e todas as existentes nas praças de alimentação como Mc Donalds, Almanara, Andiamo, Pizza Hut, Spoleto, Viena, Vivenda do Camarão, Starbucks, além dos Caixas eletrônicos e alguns serviços.

Permanecemos atônitos, desorientados, catatônicos até, em função dessa verdadeira doutrinação cultural e lavagem cerebral a que estão sujeitas nossas cidades e nós como seus habitantes. 
  
Nesse mundo urbano globalizado e homogeneizado, é possível mudar esse Quadro comum das nossas cidades?

Tarefa complexa, que deve passar por mudanças de comportamento social em termos das formas e febre de consumo, de sustentabilidade, de uma consciência ecológica, de avanços tecnológicos etc.

Talvez com a adoção de políticas públicas que visem resgatar, valorizar e reforçar as características físicas e humanas, próprias e identificadoras de cada cidade em particular, em termos visuais, geográficos, culturais, artísticos, turísticos, gastronômicos etc.

No nosso caso brasileiro estas medidas deveriam ser precedidas pela solução das suas questões de infraestrutura urbana básica, ligadas ao uso do solo, saneamento, habitação, mobilidade e segurança, através do planejamento, execução e gestão, comprometidas prioritariamente com o interesse público.

Desejos e anseios de um arquiteto urbanista brasileiro, sonhando alto.




Arte de Escrever


REFLEXÕES 6 / A ARTE DE ESCREVER

Escrever, para mim, é um ato de libertação.

Assim como desenhar, pintar, falar, cozinhar plantar, tocar um instrumento musical, a escrita nos liberta da solidão, da angústia, do mal de Alzheimer e tantas outros estados da alma, fazendo-nos viajar na imaginação, na criatividade e no sonho de uma vida melhor.

Escrever é um ato pessoal e solitário, que nos permite expressar nossa visão de mundo, através de ideias, sentimentos, inquietações, reflexões. conhecimento, experiencia, de modo a transmitir, provocar e despertar sentimentos, emoções, dúvidas, conhecimento, até abalos, naqueles que nos leem.

Escrever é contar estórias, história, fatos culturais e científicos, acontecimentos, eventos, é registrar a memória individual e coletiva, cantar o amor e a frustração, o sucesso e a tragédia, é polemizar sobre ideias e assuntos vários e tudo mais que diz respeito a experiencia humana.

Diferentemente da imagem fotográfica, a escrita nos obriga o exercício da imaginação, da interpretação, do devaneio, tão importantes na construção e manutenção da saúde mental.
Acho que quem me despertou para o prazer da leitura e da escrita, além da base do Estadual da Penha, foi um professor do cursinho Anglo Latino, chamado Hildebrando Afonso de André, lá pelos idos de 1988, forçado um pouco pelo terror do vestibular.

Ia às suas boas aulas no sábado as 7.30 hs da manhã, na rua Tamandaré na Aclimação, saindo do Cangaiba onde morava. Fui feliz nesse vestibular onde caiu para fazer a análise sintática do trecho do Gigante Adamastor, dos Lusíadas de Camões. Olhem como era o vestibular naquela época.

Escrever sem obrigação é uma dádiva, um privilégio, um prazer, principalmente para quem já foi forçado a escrever relatórios profissionais, trabalhos acadêmicos, planos diretores e de metas, memoriais e planilhas, além de outras chatices promocionais mentirosas.

Porém, não é preciso ser erudito, pedante ou arrogante para escrever e se comunicar bem; basta procurar ser simples ao transmitir uma mensagem ou ideia. Veja o absurdo que é a linguagem jurídica, que quanto mais empolada, hermética, e onanista mental, mais causa enfado. Há outras igualmente, como os laudos médicos ou análises econômicas, que apesar da devidas justificativas técnicas, procuram esconder ou camuflar a verdade. São chatas igualmente.

Mas não se engane, como qualquer arte, escrever não é uma empreitada fácil, pois exige treino, tempo, pesquisa, observação, dedicação, disciplina e aplicação.
Quantas horas diárias de ensaio não são necessárias para aprender a tocar e dominar um instrumento musical? Escrever é parecido.

Dificilmente um texto sai de uma sentada só; há muitas idas e vindas, rascunhos, edições e revisões para se transmitir a ideia exata do que se quer. Isso é recorrente em praticamente todos os autores consagrados.

Para escrever bem é preciso ler tudo e todos, prosa e verso, crônicas e biografias, clássicos e contemporâneos, nacionais e estrangeiros, sem preconceitos. De cada um se acrescenta um pouco. Veríssimos, Saramago, Amado, Milton Hatoum, Chico Buarque, Borges, Neruda, Fernanda Young, Fernanda Torres, Vinicius, Eduardo Gianetti, Laurentino Gomes Yuval Harari, e infindáveis outros autores que fazem parte obrigatória na trilha do aprendizado literário e humano.

Além de pesquisar, para adquirir vocabulário, forma, estilo, é fundamental reverenciar a PALAVRA em toda a sua plenitude e significado, respeitar a gramática, a ortografia, a concordância, a clareza, sem mutilá-la com cortes, abreviações e outras aberrações, tão em voga na atual escrita eletrônica, que me provocam urticaria e ojeriza.

Praticar e defender o texto escrito é um ato de resistência e permanência, face a crescente substituição do livro impresso pelas mídias eletrônicas e a proliferação das fake News.

Praticar o texto escrito também é um ato revolucionário, enquanto destinado a alfabetizar pessoas; principalmente em nosso país, onde muitos ainda não conseguem ler seu próprio nome e as palavras básicas, quanto mais escrever o necessário para sua própria sobrevivência.

Vocês que sabem e podem, escrevam mais, sem compromisso, pois escrever também é viver, como diria um poeta qualquer.

Vida longa ao texto escrito, honesto e sensível.

VIVA A ESCRITA

Edison Eloy de Souza / dezembro 2019